Nada a Dizer

Espetáculo Teatral - Nada a DizerO espe­tá­culo “Nada a Dizer” foi pro­du­zido pela Td9 em outu­bro de 2012. O monó­logo com dire­ção de Laer­cio Ruffa, texto de Mar­cos Dama­ceno e inter­pre­ta­ção de Diego Duda teve indi­ca­ção ao tro­féu Gra­lha Azul (maior prê­mio do tea­tro para­na­ense) de melhor ilu­mi­na­ção, assi­nada por Rodrigo Ziolkowski.

Foi também o último trabalho dirigido Laercio Ruffa, que faleceu em outubro de 2013.

A peça foi patro­ci­nada inte­gral­mente pelo Banco do Bra­sil e rece­beu exce­len­tes crí­ti­cas. Um exem­plo da boa reper­cus­são do tra­ba­lho foi a crí­tica de Helena Car­ni­eri no jornal Gazeta do Povo (jor­nal de maior expres­são no estado do Paraná).

“São pou­cas as peças que con­se­guem cau­sar uma sen­sa­ção física tão real quanto faz Nada a Dizer, em car­taz no Tea­tro José Maria San­tos. O frio da noite curi­ti­bana con­duz o pro­ta­go­nista ins­pi­rado em Hol­den Caul­fi­eld, nar­ra­dor de O Apa­nha­dor no Campo de Cen­teio, que, no romance de J.D. Salin­ger, relata dias de cami­nhada incan­sá­vel pelas ruas de Nova York. O ator Diego Duda tam­bém cami­nha bas­tante no espe­tá­culo, em tra­je­tos que rece­bem cada vez mais obs­tá­cu­los visu­ais – a ilu­mi­na­ção de Rodrigo Ziol­kowski surge como uma ame­aça seme­lhante à do fluxo de cons­ci­ên­cia pro­mo­vido pelo romance: não se sabe de onde vem e para onde vai. Não se trata de uma adap­ta­ção, até por­que, como des­taca o autor Mar­cos Dama­ceno, Salin­ger, morto em 2010, nunca per­mi­tiu ver­sões tea­trais ou cine­ma­to­grá­fi­cas de sua obra. Após os dez anos que pas­sou cons­truindo a trama em con­tos que depois desem­bo­ca­ram no romance, o norte-americano se iso­lou no inte­rior dos EUA – desejo mani­fes­tado por Hol­den. Assim envolto em mis­té­rio, o livro exer­ceu grande influên­cia na for­ma­ção de Diego, que pro­je­tou o espe­tá­culo e ofi­ci­nas com ado­les­cen­tes para falar e escre­ver sobre o tema. O texto enco­men­dado de Dama­ceno mudou cerca de 20 vezes, a ponto de o dire­tor Laer­cio Ruffa colo­car um ponto final nas mudan­ças e deter­mi­nar o “agora vai”. Uma esco­lha da mon­ta­gem que inco­moda alguns e tran­qui­liza outros é pelo silên­cio: o iní­cio da peça é delon­gado em vários minu­tos, enquanto Diego está espar­ra­mado no cen­tro do palco, com luz ape­nas na boca. Enquanto desen­volve o texto, há tre­chos em que a união de voz única com lirismo, angús­tia exis­ten­cial e espa­ça­mento entre falas acaba trans­por­tando o espec­ta­dor para longe. Volte rápido, por­que a peça é curta. Em outros momen­tos o ator tam­bém se atém aos movi­men­tos e espera lar­gos segun­dos entre uma fala e outra. Um alí­vio quando a inter­pre­ta­ção oni­pre­sente é a da gri­ta­ria e do esbravejo”.

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